segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Niagara Falls e Toronto - 09 de fevereiro de 2012

Pelo nosso planejamento da viagem, o dia 09 de fevereiro de 2012 estava reservado para um deslocamento até Niagara Falls. Assim, nossa torcida era para que tivéssemos um dia bonito, já que agradável seria a última coisa que poderíamos desejar no Canadá em fevereiro.

E não é que o dia amanheceu maravilhosamente bonito (desculpem pela redundância, mas é que, tirando o frio, não poderia ter sido melhor). Por volta de 07h20am, conforme o combinado, fomos pegos no hotel pelo Paulo Chan (visite o site dele clicando aqui), um brasileiro que já vive a oito anos em Toronto com sua família e que a cinco anos está trabalhando com transporte e excursões. É uma pessoa que inspira confiança, prestou um serviço excelente e por um preço justo (CAD 150, ida e volta a Niagara Falls, para três pessoas). Recomendamos para quem precisar de transporte em Toronto e áreas próximas.

Voltando ao passeio, a viagem até Niagara Falls levou em torno de 1h20 e foi muito tranquila. Inicialmente, fomos visitar a atração principal da cidade canadense, que faz divisa com a americana Bufallo, suas cataratas. Mesmo com o dia bonito, estava bastante frio e não havia praticamente ninguém visitando o local.

Comparada com as Cataratas do Iguaçu, na divisa do Paraná com a Argentina, Niagara Falls perde feio em número de quedas e volume de água, no entanto, a beleza do lugar e a proximidade com a cidade impressionam e fazem compensar cada minuto e centavo gasto para estar lá. É importante também destacar que a vista pelo lado canadense é melhor, pois é possível observar os dois conjuntos de quedas de frente, o que não é possível pelo lado americano. Além disso, a estrutura de turismo existente na cidade é espetacular e, com a programação certa, compensa ficar mais de um dia, pois há muita coisa para ver e fazer, especialmente, segundo os locais, durante o período de verão.

Depois de mais de duas horas caminhando (e parando para fotos e para admirar a beleza das cataratas) pela Niagara Parkway, voltamos para o início e subimos a Clifton Hill, a rua onde estão localizadas um grande número de atrações e restaurantes. Como não teríamos tempo (nem dinheiro, é óbvio) para visitar e aproveitar tudo, decidimos, primeiro olhar tudo com calma, reconhecer o lugar e depois optamos por visitar dois museus de cera, um antes e outro depois do almoço.

Primeiro, fomos ao Movieland Was Museum, um museu de estátuas de cera que representam personagens de alguns dos mais conhecidos filmes e programas de TV da América do Norte. Há algumas peças muito boas e outras nem tanto. Vale muito mais pelo setor dedicado aos filmes de terror, é até possível ser surpreendido. É um passeio interessante, mas pode ser um pouco decepcionante para quem já visitou qualquer um dos Madame Tussauds.

Depois dar algumas boas risadas com os sustos da Ana Paula e da Ana Carolina no setor dedicado aos filmes de terror, fomos almoçar no Ruby Tuesday, rede de restaurantes americana que já conhecíamos de quando estivemos nos EUA em 2010. Aproveitei para provar novamente a costelinha de porco com molho barbecue picante, acompanhada de brócolis cozidos no vapor e purê de batatas. As meninas, cpara variar um pouco e não perder o costume, foram de sanduíches com batatas fritas.

Após o almoço, fomos visitar outro museu de cera da cidade, o Louis Tussauds Was Museum. E qualquer semelhança não é mera coincidência. Louis Tussauds foi neto da famosa Madame Tussauds, que deu origem à internacionalmente famosa rede de museus de cera. Ainda não é páreo para o empreendimento da avó, mas está chegando lá e a qualidade das peças é bem melhor do que a do Movieland. Vale a pena a visita. É diversão na certa.

Por volta de 02pm, conforme havíamos acordado com o Paulo Chan, fomos encontrá-lo no local combinado, para que ele nos levasse ao Canada One Factory Outlets para que as meninas pudessem fazer umas compras por preços mais camaradas. Como sempre, elas conseguiram achar bons itens com bons preços. Uma constatação a ser feita é a de que, diferentemente da costa leste americana, os preços, mesmo em outlets, no Canadá são menos convidativos, ainda assim, de modo geral, melhores dos que os praticados no Brasil.

Compras feitas, às 04pm estávamos embarcando novamente na minivan Chysler Town & Country do Paulo Chan para voltar a Toronto. Chegamos por volta de 05h30pm no hotel, subimos para deixar mochilas e sacolas de compras para, novamente, sair e caminhar pelo centro da cidade.

Fomos até Dundas Square, no cruzamento da Dundas Street com a Yonge Street, a poucas quadras do hotel. É conhecida como a Time Square de Toronto. Muito mais pela aparência e pela multidão que passa pelo local o tempo inteiro, do que pela existência de shows e teatros nas imediações. É um lugar muito bacana e bonito. Com condições climáticas mais agradáveis é um ótimo local para parar e apreciar o movimento da multidão.

Aproveitamos a ida até a Dundas Square para jantar no Hard Rock Cafe. Não é nem preciso dizer que o ambiente é muito agradável, o serviço é de primeira, os pratos são ótimos e o preço é justo pelo que se recebe. Altamente recomendável. Inclusive, é sempre uma ótima oportunidade para quem coleciona os copos de cerveja do Hard Rock Cafe pedir uma draft e já incluir o copo como souvenir.

Horseshoe Falls - quedas do lado canadense - a mais bonita

A proximidade com a Horseshoe impressiona e encanta pela beleza

Paulo e Ana Carolina em Niagara Falls com a Rainbow Bridge (liga o Canadá aos EUA) ao fundo

Ana Carolina e Paulo em Niagara Falls

Ana Paula e Ana Carolina com as quedas americanas ao fundo

Ana Carolina e Paulo com a Horseshoe Falls ao fundo

Paulo e Ana Paula em Niagara Falls

Paulo e Horseshoe Falls

Ana Paula e Horseshoe Falls

Voltando para o centro de Niagara Falls pela Niagara Pkway

Ana Paula e Ana Carolina no Ripley's Believe It or Not

Ana Carolina em Niagara Falls

Ana Carolina na Clifton Hill - o número de atrações é enorme

Restaurante temático do Burguer King

Vista da Dundas Square à noite

Hard Rock Cafe de Toronto - Dundas Square

domingo, 12 de fevereiro de 2012

De Halifax a Toronto - 08 de fevereiro de 2012

Nesse dia, levantamos cedo para terminar de ajeitar as bagagens, tomar e nos prepararmos para a ida ao aeroporto, já que estávamos de partida para Toronto e precisávamos nos despedir da Crystal, que sairia cedo para o trabalho. Por volta de 08h15am, a Emma e o Braden, acompanhados da mãe da Emma, chegaram na casa do Barry, pois eles queriam levar a Ana Carolina no aeroporto. Foi uma boa ideia, já que estávamos com quatro malas grandes e daria um trabalho danado arrumá-las na Sportage do Barry.

Chegamos com bastante antecedência no aeroporto e fomos direto para o check in. A boa notícia foi a de que, mesmo estando indo para um voo doméstico, já que só voltaremos ao Brasil na próxima semana, a AirCanada não cobrou nenhum excesso de bagagens (para voos domésticos o limite é de uma mala, de até 23 Kg, por pessoa), pois consideraram que este voo fazia parte do roteiro da volta. No mais, foi tudo sem novidade.

A parte triste da história foi a despedida da Ana Carolina de seus amigos e do Barry. Deu para sentir que, nesse tempo que a Ana Carolina passou em Dartmouth, ela conquistou as pessoas com quem se relacionou e deixou amigos de verdade no Canadá.

Detalhes sobre o aeroporto de Halifax (Halifax Stanfield International Airport): se comparado a outros por quais passamos na América do Norte, é pequeno, mas, embora Halifax tenha apenas em torno de 400.000 habitantes, a estrutura é muito bonita e bem equipada, com 31 portões de embarque e 12 pontes de embarque. Só para comparar, o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em Curitiba, tem 10 portões de embarque e 06 pontes de embarque. Embora seja um aeroporto moderno e seguro, do ponto de vista técnico e de informatização, ainda temos um belo caminho pela frente para termos em Curitiba (e no Brasil de modo geral) aeroportos de padrão internacional para recebermos a Copa do Mundo em 2014.

Emma e Braden, os grandes amigos canadenses da Ana Carolina

Barry, o host father da Ana Carolina

Despedida no aeroporto de Halifax


Saímos de Halifax às 10h45am e chegamos em Toronto às 12h10pm. Foram em torno de 2 horas de voo, considerando uma hora a menos de fuso horário. Pegamos nossas malas e fomos procurar por um táxi. Ponto para a organização dos administradores do Aeroporto de Toronto, a localização dos táxis que operam no local foi bastante fácil e a orientação para qual táxi pegar foi melhor ainda. Explico, várias pessoas chegaram ao mesmo tempo ao local de embarque e a pessoa que estava organizando o serviço perguntava por duas informações essenciais: número de pessoas e número de bagagens. Pronto, com essas informações simples ela direcionava o passageiro, ou passageiros, a um determinado veículo que pudesse atender as necessidades. Simples assim, não precisa de computadores especiais, sistemas informatizados da NASA ou engenheiros quânticos. Na grande maioria das vezes uma solução simples, como a descrita, faz toda a diferença para o usuário.


Pegamos o tal táxi e este nos trouxe até o hotel por CAD 55, algo em torno de R$ 100. Dois detalhes importantes sobre a questão da acomodação. Primeiro, fizemos a busca do hotel e a reserva pelo site booking.com, que também possui app para iOS e Android. Segundo, o hotel, até o momento tem atendido todas as nossas expectativas. É confortável, bem localizado, limpo, oferece uma boa gama de serviços sem custos adicionais. É o típico hotel para quem pretende aproveitar a cidade e não o hotel propriamente dito, pois não tem áreas de recreação, entretenimento e, para quem está viajando de carro, não dispõe de estacionamento.


Embora tivesse lido bons reviews sobre o site booking.com e sobre o hotel que escolhemos por meio dele, ainda estava um pouco preocupado sobre a fidelidade do site, tanto em fazer a reserva quanto com relação à qualidade e confiabilidade dos reviews dos hotéis. Foi uma agradável surpresa. Recomendamos o uso.

Quarto do Hotel Victória em Toronto

Quarto bem espaçoso e bagunçado com a nossa chegada


Depois de feito o check in no hotel e deixado as malas no quarto, fomos procurar por uma refeição, pois já eram 2pm e a fome estava batendo. Como não ainda não estávamos ambientados com a região, caminhamos até o Eaton Centre, um mega shopping center localizado a menos de quatro quadras do hotel, e comemos por lá. Depois de almoçar, fomos caminhar pelas redondezas e conhecer os edifícios antigo e novo da prefeitura de Toronto.

Tempo para um comentário sobre os edifícios da prefeitura. Segundo conta a história, a construção e a mudança da prefeitura, do prédio antigo para o novo, causou comoção na população da cidade e muita discussão. Não entendia muito bem por que isso, até conhecer o prédio antigo da prefeitura. É lindo, espetacular. Se fosse morador de Toronto iria ficar chateado também. Tudo bem que com o passar do tempo e com o crescimento da estrutura de administração das cidades muitas vezes se faz necessária a construção de novos edifícios para hospedar novas estruturas, mas o cerne do poder do município não precisava abandonar uma edificação tão bonita e tradicional. Mas quem sou eu para querer dar pitaco na cidade dos outros.

Em frente à prefeitura nova há uma praça, chamada Nathan Philips Square, onde há, durante o período de inverno, um rinque de patinação. Ficamos um tempo assistindo às pessoas patinar, algumas aprendendo (leia-se, tomando vários tombos) e outras com bastante habilidade. É um programa para toda a família, havia vários casais com crianças pequenas patinando no local. Para quem não possui equipamentos, é possível alugar os patins no local.

Outra coisa muito bacana de Toronto é o PATH, um conjunto de corredores subterrâneos que forma, segundo o GUINESS BOOK, o maior complexo de comércio abaixo do solo, com aproximadamente 28 quilômetros de extensão e mais de 371 mil metros quadrados de área. A história do PATH começou em 1900, quando a Eaton's Department Store construiu um túnel por baixo da James Street para permitir que seus usuários pudessem acessar um edifício secundário da grande loja de departamentos. Esse precursor do PATH é utilizado até hoje como parte do sistema. 

Utilizando o sistema de túneis é possível caminhar por praticamente todo o centro financeiro e comercial da cidade sem a necessidade de se expor às condições adversas do clima. Os túneis ligam boa parte dos principais edifícios do centro da cidade e permitem aos usuários ir de um prédio ao outro sem sequer ver a luz do sol (no caso, sem sentir o vento gélido e sem ver o cinza do céu). O único senão do PATH, e que a prefeitura promete resolver dentro em breve, é a dificuldade de se orientar pelos mapas disponíveis para a infinidade de corredores. Os desaviados podem não saber exatamente onde estão e sair antes ou depois do local desejado. Dependendo das condições climáticas é o tipo de equívoco pelo qual ninguém quer passar.

Prefeitura antiga de Toronto

Prefeitura nova de Toronto

No inverno a praça na frente da prefeitura se transforma em ringue de patinação

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Halifax - 07 de fevereiro de 2012


Terça-feira, dia 07 de fevereiro de 2012, o dia começou bonito e com o céu limpo, a temperatura, perto dos dias anteriores, estava até agradável, se é que 0ºC pode ser chamado de agradável, e eu fui visitar o Comando do Corpo de Bombeiros de Halifax Regional Municipality, graças à intervenção da Marlene, como já contei no post anterior.

O Comando do Corpo de Bombeiros de Halifax funciona em um prédio público na Alderney Road, na mesma edificação onde funcionam outros setores da administração municipal, ocupando metade de 3º andar do edifício.

Lá fui recebido por Brian Gray, Executive Officer do gabinete do comandante, que por lá é chamado de Chief Director. Foram quase duas horas de conversa sobre as características, os problemas e as soluções encontradas pelo Halifax Regional Fire & Emergency (como é chamado o Corpo de Bombeiros por lá). Como a ideia desse blog não é discutir assuntos técnicos, não vou me alongar na conversa, mas posso garantir que tive boas ideias ouvindo as explicações e relatos do Brian.

Antes de sair, tive a oportunidade de conversar rapidamente com Roy Hollett, Subcomandante Operacional do Halifax Regional Fire & Emergency, número 2 da hierarquia da instituição, que me recebeu muito bem e acabou me presenteando com um livro sobre os 250 anos do HRFE, camisetas e badges da corporação.

Depois da reunião, voltei para casa com o Barry, para pegarmos as meninas e ele nos levar ao centro de Halifax. O Barry nos deixou no Halifax Citadel, um forte construído no alto da colina que domina o cenário de Halifax e que dá uma vista privilegiada do porto da cidade. Seu nome original é Fort George, em homenagem ao Rei George II da Grã-Bretanha, e foi usado para defender a cidade de Halifax, seu porte e a entrada para Bedford Basin. Durante o verão há uma série de atividades e visitas guiadas ao forte. Já no período de inverno, o forte fica aberto a visitação e não oferece tais serviços. No entanto, uma tradição diária se mantém, o "noon gun", um cerimonial de disparo de uma das peças de artilharias do forte exatamente ao meio-dia. Essa tradição nasceu com a necessidade ancestral de avisar a todos os trabalhadores do porto e do forte de que era hora do almoço e que ninguém poderia se atrasar, para não comprometer a volta ao trabalho.

Chegamos no Halifax Citadel bem na hora de presenciar o cerimonial, realizado por duas pessoas em uniformes de época, que, embora singelo, tem um elevado grau de significado histórico. No início, esse tiro era dado com 4 libras de explosivo, porém, com a grande quantidade de edificações envidraçadas nas redondezas e o uso de sistemas de alarmes de veículos cada vez mais sensíveis, a carga precisou ser reduzida para 1 libra, mantendo o ritual e evitando a quebra de janelas e o disparo em cascata de uma infinidade de alarmes de veículos. 

Entrada do Halifax Citadel

Aspecto do interior da fortificação - o quartel da brigada do forte está ao fundo

Preparação para o ritual do "noon gun"

Vista do forte em direção ao porto e entrada da Halifax Harbour

Ana Carolina e uma das muitas peças de artilharia do Halifax Citadel

Depois da visita ao Halifax Citadel, embora fosse hora do almoço e ninguém estivesse com muita fome, fomos comer algo em um Subway próximo, para depois irmos visitar o Museum of Natural History de Halifax.

É óbvio que se o comparássemos aos Museus de História Natural de Washington e New York o embate seria injusta, mas, mesmo assim, o museu é muito bacana e oferece uma boa diversidade de amostras e espécimes da fauna, da flora e do mundo mineral.

Além da boa quantidade e qualidade das amostras, o museu provê apresentações diárias sobre o mundo animal com a participação de profissionais da área. No dia em que visitamos o museu a apresentação era sobre animais de florestais tropicais (as "rain forests") e havia um número bastante considerável de pais com filhos pequenos assistindo-a. A profissional que realizou a apresentação demonstrou muita empatia com as crianças e deu mostras da importância de os incentivar para a compreensão do mundo ao seu redor.

Painel sobre a vida de pássaros de regiões polares

Painel sobre grandes aves de rapina da América do Norte.

Ana Carolina e o esqueleto de uma baleia

Ana Carolina e uma mandíbula de tubarão

Aquário de água salgada com animais marinhos

Mais um dos muitos animais marinhos

A incrível lagosta de 32 anos, conhecida por Francis, que viveu na costa de Nova Scotia e que, por ser muito grande, nunca foi pega em uma "trap" (as armadilhas utilizadas para pescar lagostas no Atlântico Norte) e acabou sendo pega por uma rede de arrasto no início dos anos 1980. Em 1995 o seu exoesqueleto foi incorporada ao acervo do museu. Seu peso vivo não é conhecido.

Depois do Museu de História Natural, fomos caminhar pelo centro de Halifax para observar algumas edificações e o movimento das ruas.

Catedral de Halifax

Entrada do cemitério onde estão enterradas várias vítimas do naufrágio do Titanic - infelizmente, neste dia, não estava aberto para visitação

Fachada da Alexander Keith's Brewery - cervejaria local de Halifax e que produz uma saborosa Red Ale

É claro que, antes de voltarmos para casa, a Ana Carolina tinha que aprontar uma para fechar a conta em Halifax. Estávamos aguardando a Crystal nos pegar em frente à Tim Hortons do Ferry Terminal e, como ela estava demorando um pouco, a Ana Carolina resolveu ir telefonar para o Barry para perguntar se havia acontecido algo. Fiquei esperando na esquina e a Ana Paula foi junto. De repente, um carro muito parecido com o do Barry parou próximo ao telefone onde as duas estavam se preparando para fazer a ligação. A Ana Carolina não teve dúvida, foi empurrando a mãe para o carro e me chamando - "vem pai, o Barry chegou" - como assim? Mas não era a Crystal que viria nos buscar? Na dúvida saí correndo e, quando cheguei no carro, me deparei com as duas já pedindo desculpas e com uma mulher vindo atrás de mim, com cara de "o que é que está acontecendo aqui?. Bom, para resumir a história, a Ana Carolina queria pegar carona no carro errado e, ainda por cima, levar o pai e mãe juntos. 

À noite tivemos um jantar de despedida - mais um - para a Ana Carolina. Alguns amigos e a host aunt Marlene, além de nós e da host family da Ana Carolina, saboreamos uma deliciosa pizza. Rimos muito com as histórias da Ana Carolina e seus amigos e, depois que foram embora, aproveitamos para finalizar a preparação das bagagens para a viagem do dia seguinte. Não preciso nem dizer que virou lenda entre os amigos e a host family da Ana Carolina a história da carona errada, contada acima. Rimos muito disso durante o jantar.

Eu, Barry, Ana Carolina, Crystal, Braden e Emma loucos para encarar as pizzas

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Dartmouth - dias 05 e 06 de fevereiro de 2012

Como de costume, nosso dia começou por volta de 08h da manhã comendo um pote de cereais com leite, chá e torradas com geleia na casa do Barry. Novamente o dia amanheceu frio, em torno de -11ºC (sensação térmica de -16ºC), e os telhados das casas estavam brancos com o congelamento da umidade. Nessa manhã não chegou a nevar propriamente dito, mas houve formação de "flurries" (pequeníssimos flocos de neve) até por volta de 10h.

Como estava muito frio para caminhar pelas ruas da cidade, o Barry aproveitou a parte da manhã para nos ensinar como fazer um "chowder", um prato tradicional de frutos do mar, que nós iríamos comer na noite seguinte. Segundo ele, o prato fica melhor se você prepará-lo e deixá-lo para descansar para ser consumido no dia seguinte, no entanto, nada impede de ser degustado logo após o preparo.

Depois de terminada a aula de culinária, o Barry nos levou ao Mic Mac Mall, um shopping center localizado a uns 15 minutos ao norte. Nesses horas é que ficamos com raiva da globalização. Não há praticamente nada de diferente, tirando uma ou outra pequena rede local ou restaurantes e lanchonetes de comida regional, entre os bons shopping centers que temos no Brasil e os existentes na grande maioria da América do Norte (exceção óbvia aos outlets e aos mega shopping centers). Mesmo assim, andamos por todas as instalações para termos certeza de que não perderíamos nada. Almoçamos uma comida tradicional da região, o "poutine", um prato composto por batatas fritas cobertas por pedaços de queijo e um molho, normalmente à base de carne gado ou frango e picante, acompanhado de lascas ou tiras da mesma carne do molho. Nada de especial, mas saboroso assim mesmo.

Depois dessa festa de carboidratos do almoço, caminhamos por mais algumas lojas e saímos do shopping center para dar uma olhada em uma livraria gigantesca localizada ao lado, a Chapters. Aqui sim faltou tempo, antes tivéssemos ido primeiramente à livraria (mesmo assim eu posso garantir que um dia seria pouco, a danada da livraria é gigante) e depois ao Mic Mac Mall.

Telhados das casas branquinhos pelo congelamento da umidade

Em direção ao Mic Mac Mall (com a Chapters ao fundo) - não estava nada frio - dá só uma olhada no gorro do cidadão aí de cima

Terminado nosso passeio, a Crystal (host mother da Ana Carolina) nos pegou em frente à Chapters e fomos buscar o Barry em casa para fazermos um tour pelas belas paisagens naturais da região de Halifax Regional Municipaty. Lugares como Cole Harbour, Forest Hill e Lawrencetown Beach, um point de surf frequentado, inclusive, durante o inverno (vão gostar de surfar assim lá não sei aonde, se fora da água estava quase insuportável, imagine dentro).

Ana Paula, Ana Carolina, Crystal e Barry em Lawrencetown Beach - ao fundo há um pico formado por uma ponta de pedra que torna o lugar fantástico para longboarders - mas que a água é de lascar, ah isso é!!!!

Eu e a Ana Paula na mesma Lawrencetown Beach - praia com fundo de seixos rolados, com certeza segura boas ondulações

Depois desse passeio de vistas fantásticas fomos visitar a irmã do Barry, Marlene, mais uma das pessoas maravilhosas que tivemos o imenso prazer de conhecer aqui no Canadá. Ela nos preparou um maravilhoso lombo de porco assado, acompanhado de batatas vermelhas e legumes cozidos, tudo regado a um bom vinho tinto. Como sobremesa, mais um prato local, "crumble". Torta prepara com maçã, "rhubarb" (uma mistura de vegetal com fruta, ácido e azedo) e farofa de manteiga, acompanhada com sorvete de creme - resumindo, uma delícia. Como sempre, o bate-papo com eles, durante o jantar, foi muito agradável e a Marlene, durante uma conversa relacionada a minha profissão, me perguntou se eu gostaria de fazer uma visita ao Corpo de Bombeiros de Halifax, já que ela fazia parte de um grupo de rotarianos que coloca profissionais das mais diferentes áreas em contato, com a intenção de que troca de experiências possa render bons frutos para os profissionais e para quem recebe seus serviços. Convite feito e convite aceito, Marlene ficou de fazer contato com o Corpo de Bombeiros de Halifax no dia seguinte e acertar um horário para a visita.

Ana Carolina e host aunt Marlene (como a Ana Carolina gostava de se referir a ela)

Depois do delicioso jantar na casa da aunt Marlene, retornamos para casa, já que o dia seguinte seria segunda-feira e o pessoal precisava trabalhar, afinal, apenas nós estávamos de férias.

Na segunda pela manhã, a pedido da Ana Carolina, o Barry nos levou a Dartmouth Crossing, um shopping center a céu aberto, espalhado por uma área gigantesca, onde se pode achar praticamente de tudo. Andamos por lá durante a manhã apenas para conhecer o local, já que a Ana Carolina fez questão de nos levar passear em um lugar onde ela passou tardes agradáveis em companhia de seus amigos canadenses e intercambistas.

Almoçamos por lá, na companhia do Barry, em um restaurante chamado Swiss Chalet, rede canadense inaugurada em 1954 e que tem frango como o principal ingrediente de seus pratos. O frango é preparado de várias maneiras, a gosto do freguês, e vem sempre acompanhado de batatas e o tradicional molho da casa. Uma delícia, recomendamos e agradecemos a Ana Carolina pela ótima dica e escolha.

Depois do almoço o Barry nos deixou na Dartmouth High, escola que a Ana Carolina frequentou durante seu intercâmbio, para que pudéssemos conhecê-la e sentir o ambiente que nossa filha frequentou. Foi uma experiência bem bacana, a escola é enorme e parece que estamos naqueles filmes para adolescentes que passam na sessão da tarde. Os lockers espalhados pelos corredores, o ginásio, a biblioteca, laboratórios de biologia, alunos correndo para trocar de sala entre uma aula e outra e "quilômetros" de corredores que deixaram eu e a Ana Paula meio perdidos. Segundo a Ana Carolina, não foi diferente com ela no começo.

Eu e a Ana Carolina na rua da Dartmouth High - e o frio não dava trégua

Da escola fomos dar uma caminhada pelo pequeno centro de Dartmouth, experimentar um café na Tim Hortons, uma espécie de Starbucks canadense (tão boa quanto e muito, mas muito mesmo, mais barata) e fazer o caminho que a Ana Carolina fazia quando ia a pé para casa - já que não podíamos usar ônibus mesmo, por que há uma greve no transporte público na área de Halifax, ou seja, nada de ônibus e nada de ferry entre Halifax e Dartmouth.

Nessa hora eu agradeci a greve, já que, se não houvesse, eu duvido muito que as Anas iriam querer voltar a pé para casa (e olha que nem era tão longe - uns 3km). O passeio foi bastante agradável. Tivemos a oportunidade de conhecer a região de Alderney, de onde chega e sai o ferry para Halifax e onde chegou, no final de agosto de 1750, o navio HMS Alderney, o qual trouxe os primeiros 353 pioneiros que iriam estabelecer o povoado de Dartmouth e considerados seus primeiros cidadãos. A cidade recebeu esse nome em homenagem a William Legge, primeiro Conde de Dartmouth. No local há monumentos comemorativos a essa passagem histórica e aos primeiros cidadãos de Dartmouth.

Ana Carolina em Dartmouth Downtown

Vista de Alderney Gate, com Halifax ao fundo

Sede da Guarda Costeira Canadense e um de seus navios de patrulha

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Peggy's Cove e Halifax - 04 de fevereiro de 2012

Antes de mais nada, gostaria de pedir desculpas aos nossos amigos e leitores pela demora em atualizar notícias dessa nossa viagem. A razão é que temos tido um bocado compromissos com a host family da Ana Carolina, o que nos tem impedido de escrever todos os dias. Mas vamos deixar o lero-lero para lá e vamos ao que interessa, ou seja, atualizar as histórias da viagem.

Pois bem, no sábado, dia 04 de fevereiro de 2012 e nosso segundo dia no Canadá, começou com uma viagem até Peggy's Cove, uma pequena comunidade de pescadores a 30 minutos ao sul de Halifax.

A temperatura não estava lá essas coisas para pegar uma praia, em torno de -12ºC (com sensação térmica, na cidade, de -18ºC - lá com certeza estava menos, em virtude do vento forte), e parecia que ia cortar ao meio qualquer parte do corpo que ficasse exposta. Por incrível que pareça, chegava a ser desesperador ficar sem luva ou sem toca, parecia que os dedos e as orelhas iriam congelar e cair.

No caminho demos uma parada para conhecer o memorial construído em homenagem às 229 vítimas da queda do voo 111 da Swissair, que iria de Nova Iorque a Genebra, no dia 02 de setembro de 1998. O memorial fica localizado em The Whalesback, um quilômetro ao norte de Peggy's Cove.

Família Souza congelada no memorial do Swissair flight 111

Paulo, Barry e Ana Carolina em The Whalesback

Saindo do memorial do Swissair 111, rapidamente chegamos a Peggy's Cove e fomos explorar a área de formação rochosa (granito) ao longo de uma gélida enseada ocupada basicamente por pescadores de lagostas.

É possível passar o dia explorando a formação rochosa, subindo e descendo as pedras e aproveitamento as maravilhosas vistas do local (mesmo em condições glaciais como a do dia de nossa visita). Pois bem, possível até é, mas alguém pode imaginar a Ana Paula e Ana Carolina subindo e descendo rochas o dia inteiro, ainda por cima com ventos que jogam a temperatura para baixo de -20ºC? Pois é, não dá né. Então o negócio foi dar apenas uma volta pelas pedras, observar o principal, acompanhar uma embarcação de pesca retirar algumas armadilhas para lagosta do mar e ir para o restaurante local tomar uma boa xícara de chocolate quente, acompanhada de um generoso pedaço de ginger bread (na verdade um bolo de gengibre - diga-se de passagem, delicioso). Batemos mais um papo com o Barry, contamos algumas histórias e observamos a bonita vista do local, para, logo depois, voltarmos em direção a Halifax.

Andando pelas rochas em Peggy's Cove

Família Souza reunida em frente ao farol de Peggy's Cove

Peggy's Cove

A água que ficou sobre as pedras congelou com as baixíssima temperaturas

Ana Carolina com sua caneca de chocolate quente e seu pedaço de ginger bread

Local que dá nome ao vilarejo e que é o cenário mais fotografado de todo o Canadá (segundo os próprios Canadenses)

De Peggy's Cove voltamos a Halifax e o Barry nos deixou em frente ao Museu da Imigração Canadense. Infelizmente o museu está passando por remodelações e renovação em seu sistema de aquecimento e ar-condicionado, por essa razão, as principais atrações do museu estão fechadas à visitação. De qualquer maneira, visitamos as partes que estavam abertas ao público, com o que já foi possível ter uma ideia da grande torre de babel que formou a sociedade canadense.

Ana Carolina na entrada do museu da imigração

Vista a partir da réplica de um dos muitos navios que chegavam aos portos da Nova Scotia trazendo imigrantes europeus

Ana Paula e os painéis e réplicas de bagagens e utensílios que contam a história da imigração canadense

Saindo do Museu da Imigração Canadense descemos pelo Waterfront, um caminho calçado que margeia o Halifax Harbour, em direção ao Maritime Museum of the Atlantic. Localizado no coração do Waterfront, não há melhor lugar para fazer uma imersão na herança de navegação e convivência com o mar que tem a província de Nova Scotia.

Nesse museu é possível observar detalhes e histórias relacionadas desde pequenas embarcações até gigantescos comboios que saíram de Bedford Basin para a Segunda Guerra Mundial. Também há mostras relacionadas à navegação a vela, ao naufrágio do Titanic, tendo em vista que Halifax era a cidade onde estava localizado o porto de grande porte mais próximo ao local da tragédia e onde foram sepultadas um grande número de vítimas do naufrágio, e à grande explosão de 1917 que devastou o porto de Halifax e áreas anexas.

Além do grande número de informações interessantes e de artigos colocados à mostra, o que chama bastante a atenção nesse museu é a qualidade e a beleza das réplicas de embarcações construídas em escalas menores, em grande parte por artesãos que trabalham ali mesmo, na vista dos visitantes.
        
Paulo e Ana Carolina em frente a uma das muitas réplicas fantásticas que há no museu

Outra das réplicas com seus detalhes rebuscados

Extintor de incêndio utilizado em embarcações e coloca a mostra no museu

Equipamentos (no caso de mergulho) relacionado à conquista dos oceanos pelo homem

Ana Carolina e a réplica do Titanic

Painel que retrata a escadaria do salão de jantar do Titanic (à minha direita um amostra entalhada original da escadaria)

Depois de um lanchinho no McDonald's da Spring Garden Rd estamos esperando pela nossa carona com o Barry

À noite, o Barry nos levou para participarmos de um passeio em família bem típico dos canadenses, assistir a um jogo de Hockey. É de se perguntar, como é que pode. As equipes que estavam jogando sequer são profissionais e a maioria dos jogadores ainda não atingiu a idade para poder ser contratado para jogar na NHL (National Hockey League), o que somente acontecerá quando o atleta completar 21 anos de idade, mas o espetáculo, embora acanhado para os padrões das ligas profissionais, dá uma lição de organização se comparada aos nossos campeonatos de futebol, inclusive o  tão decantado Brasileirão da Série A. Instalações confortabilíssimas para 10 mil pessoas, em arena coberta, climatização em funcionamento e organização para compra de tíquetes e saída ao final do jogo.

O único problema é que acho que somos pé-frios. Justo nesse dia, o time da casa, Halifax Moosehead, perdeu para um oponente de New Brunswick, 5 a 1, depois de ter vencido o jogo anterior, na sexta-feira, contra Moncton, também de New Brunswick, por 5 a 3.

Ana Carolina e Paulo aguardando o início do jogo de sábado

Pouco antes do início da partida