domingo, 26 de setembro de 2010

Pernambuco

Essa viagem a Pernambuco, da qual falaremos hoje em nosso blog, foi feita antes de criarmos o blog. Mas como a intenção é relatar nossas experiências com viagens e passeios, resolvemos contar um pouquinho como foi esse passeio e qual as impressões que tivemos da pequena parte que conhecemos desse maravilhoso estado do nordeste brasileiro.

Para começar, é importante já deixar bem claro: o litoral de Pernambuco é uma maravilha. Quem ainda não conhece, não sabe o que está perdendo. Vale cada centavo gasto para chegar lá.

Nossa viagem começou no dia 20 de março de 2009, saindo de Curitiba bem cedo, fazendo uma conexão no Rio de Janeiro e chegando no Hotel Marupiara, na praia do Cupe, próximo a Porto de Galinhas, no Município de Ipojuca, às 16h.

Ipojuca é um dos municípios do litoral de Pernambuco, formado pelo distrito sede, pelos distritos de Camela e Nossa Senhora do Ó, dos povoados das praias de Muro Alto, Cupe, Porto de Galinhas, Maracaípe e Serrambi, além de Touquinho e seus engenhos.

No dia em que chegamos ao hotel, levamos nossas malas para o quarto e fomos aproveitar o pouco tempo de luz natural disponível para fazer um reconhecimento da praia, nas instalações do hotel e depois jantar por ali mesmo.


O dia amanhece super cedo, lá pelas 05h, e termina da mesma maneira, lá pelas 17h30, por isso é preciso é bom levantar sempre cedo para aproveitar bem o dia.

Na praia, em frente ao Hotel Marupiara, onde ficamos hospedados.

Caminhando na praia no dia em que chegamos, entre Cupe e Porto de Galinhas (ao fundo)

No dia seguinte, um sábado, fizemos contato com o pessoal da Luck Receptivo, uma agência de viagens de grande porte de Pernambuco e que tinha um quiosque no hotel. Com eles contratamos alguns passeios a serem feitos durante a semana (city tour Recife e Olinda, praias do Cabo de Santo Agostinho - com direito a passeio de catamarã e buggy - e Praia dos Carneiros - também com passeio de catamarã para chegar lá). Foi um ótimo negócio, atendimento super profissional, conforto e garantia de satisfação. Não nos arrependemos. Por fora, contratamos um passeio de buggy, que o pessoal de lá chama de "ponta-a-ponta", que leva o turista para conhecer todas as praias do município de Ipojuca.

Depois de acertarmos os passeios, que só começariam na segunda-feira - em virtude das condições da maré, fomos dar uma caminhada até Cupe, distante uns 2 km do hotel. As areias brancas, a água morna e transparente, as palmeiras formando uma parede nas proximidades do mar e os arrecifes próximos à praia são algumas das características dessa localidade. O visual maravilhoso e a calma do lugar convidavam à indolência. E foi exatamente isso que fizemos, ou seja, nada, absolutamente nada, apenas aproveitando o mar e a paisagem - durante toda a manhã. Voltamos para almoçar no hotel, que tem uma comida muito boa, diga-se de passagem, e aproveitamos para descansar um pouco, até por que, àquela altura, o sol estava, como dizemos por aqui, de "rachar mamona". Mais para o final da tarde fomos aproveitar a piscina e o mar em frente ao hotel. À noite ficamos no hotel para aproveitar as atividades, apresentações musicais e artísticas que aconteciam todas as noites.

Praia de Cupe

As águas incrivelmente cristalinas da Praia de Cupe

A Ana Paula na área das piscinas do hotel, com a praia ao fundo.

Aproveitando as áreas de descanso do hotel, em frente ao mar

No domingo, levantamos cedo, tomamos um café-da-manhã reforçado no hotel e fomos caminhando pela praia até a vila de Porto de Galinhas, distante uns 4 km do hotel. Nesse dia não fizemos o passeio de jangada até os arrecifes por que a maré não estava ajudando. Aproveitamos para sentir o astral da vila, tomar um banho de mar e tomar uma água de coco apreciando o visual. Até aqui tinha ido tudo bem, no entanto, a volta, para a Ana Paula, foi um pesadelo, a maré havia subido, era preciso andar pela parte mais alta da praia, com areia fofa, e já havíamos caminhado os primeiros 4 km. A coitada chegou destruída ao hotel e eu aliviado, pois, fiquei imaginando como é que eu ia fazer para trazê-la no colo se ela resolve empacar no meio do caminho. Novamente almoçamos no hotel, descansamos um pouco e aproveitamos a piscina no final da tarde. À noite, aproveitamos para ir, novamente, à vila de Porto de Galinhas, só que dessa vez para conhecer a vila propriamente dita, e não apenas a praia, e, o mais importante, de táxi. Os taxistas que ficam na frente dos hotéis daquela região cobram, ou cobravam na época, R$ 10 por trecho, de ida ou de volta para a vila, independente do número de passageiros. Na volta ainda pudemos aproveitar uma apresentação de música popular no hotel.

Porto de Galinhas

Água de coco em Porto de Galinhas

O mar em Porto de Galinhas

À noite na vila de Porto de Galinhas

No dia seguinte, segunda-feira, começamos a fazer nossos primeiros passeios contratados com a Luck. Iniciamos com o city tour por Recife e Olinda. Um micro-ônibus da agência nos pegou, junto com mais algumas pessoas de nosso hotel, passou por alguns outros hotéis da região e fomos, primeiramente, para Recife. Começamos pela Praia de Boa Viagem, cartão postal da cidade. Demos uma pequena caminhada pelo calçadão da praia, muito bem cuidado, arborizado e bonito. Depois de lá, fomos para a área histórica da cidade, onde aproveitamos para conhecer o marco zero de Recife, em frente ao Terminal Marítimo de Embarque de Passageiros, a Sinagoga Kahal Zur Israel, a primeira sinagoga das Américas e hoje um museu, e a Casa da Cultura, antigo presídio que agora abriga lojas de artesanato, restaurantes e espaços para apresentações culturais. Depois da Casa da Cultura, fizemos um percurso de ônibus pelas principais ruas da cidade, passando pelo Palácio do Governo, museus e edificações antigas e bem conservadas. Na sequência fomos para Olinda e, chegando lá, fomos direto almoçar. Depois do almoço fizemos um passeio guiado pelas ruas e ladeiras de Olinda, indo em direção à Igreja da Sé. Essa igreja foi construída em 1535, sendo a primeira paróquia do Nordeste. Desde 1676 é a catedral da Arquidiocese de Olinda e Recife. Do alto da Sé é possível avistar uma paisagem inesquecível e indescritível: as cidades de Olinda e Recife, juntas. Visitamos o interior da igreja, sua sala paroquial e pudemos apreciar objetos e móveis antigos e bem conservados que fazem parte do acervo da Sé. Na saída fizemos um passeio a pé na região e aproveitamos para conhecer algumas feiras de artesanato. Na volta para Ipojuca demos uma passada pelo Shopping Recife, onde aproveitamos para comprar um lanche para comer no quarto do hotel.

Praia de Boa Viagem e suas placas avisando sobre os riscos de ataque de tubarões.

Calçadão da Praia de Boa Viagem

 Terminal de Embarque Marítimo

 Marco Zero de Recife - em frente ao Terminal de Embarque

 Catedral da Sé - Olinda

 Ladeiras de Olinda

Na terça-feira saímos cedo, logo após o café da manhã, para mais um passeio, agora pelas praias do Cabo de Santo de Agostinho. Fomos até a cidade de Cabo de Santo Agostinho e de lá fizemos um passeio de buggy pelas várias praias da cidade, entre elas Pedra do Xaréu, Enseada dos Corais e Calhetas. Depois do almoço fizemos um passeio de catamarã pela região do Porto de Suape, observando a barreira de corais e o manguê do Cabo. No final da tarde, pegamos o ônibus da operadora de turismo de volta para Porto de Galinhas, jantamos no hotel e assistimos um show humorístico local.

 Vista do Porto de Suape e da Praia dos Corais a partir de Gaibu

 Praia de Calhetas - ê lugarzinho "mais ou menos".

Na quarta-feira fizemos o passeio conhecido como "ponta-a-ponta". Nesse passeio, contrata-se os serviços de um dos muitos bugueiros da região que levam os turistas a visitar todas as praias de Ipojuca, do Pontal de Maracaípe a Muro Alto, ou vice-versa. O importante é contratar os serviços de bugueiros autorizados pela Prefeitura. São pessoas que recebem treinamento para essa atividade e os veículos são vistoriados constantemente para entregar conforto e segurança ao turista.

Começamos o nosso passeio pela Vila de Porto de Galinhas e os seus incríveis arrecifes. A sequência que escolhemos para conhecer as praias foi determinada pela altura da maré. O turista que visita as praias do Nordeste e não tem intimidade com esse fenômeno do movimento do mar deve prestar muita atenção, para não se decepcionar com os passeios que dependem de maré baixa. Como a maré estava adequada no início da manhã, fomos fazer o passeio de jangada até os arrecifes e observar as piscinas naturais e os peixes que ficam presos nessas piscinas durante a maré baixa. É um lugar imperdível e que vale o passeio. Depois de Porto de Galinhas fomos conhecer a praia de Maracaípe e, depois, Pontal do Maracaípe, aproveitando para fazer um passeio de jangada pelo Rio Maracaípe e conhecendo os berçários de cavalos-marinhos da região.

Depois do Pontal, fomos a Muro Alto, praia muito bonita e com uma característica bastante interessante pelas proximidades da barreira de arrecifes, que se estende por alguns quilômetros. Essa barreira forma a maior piscina natural de Ipojuca, com aproximadamente 3 quilômetros de águas super calmas. É nessa praia que se encontra o maior número de resorts do município, tanto que vários segmentos da praia foram bloqueados pelos hotéis.

Depois do passeio, voltamos ao hotel à tempo de aproveitar a piscina no final de tarde e sair para passear e jantar na vila de Porto de Galinhas.

 Piscina do "mapa do Brasil" nos recifes de Porto de Galinhas

 Peixes "famintos" presos nas piscinas naturais dos recifes de Porto de Galinhas durante a maré baixa

 Os mesmos peixes "assassinos".

 Passeio de jangada no Rio Maracaípe

Cavalo Marinho coletado, e devolvido ao habitat por profissional habilitado, no mangue de Maracaípe

 Vista de Muro Alto, outro lugarzinho "mais ou menos"

Na quinta-feira fomos fazer o nosso último passeio, já que na sexta-feira, pouco antes do almoço, voltaríamos para Curitiba. Fomos conhecer a Praia dos Carneiros, uma das praias mais bonitas de Pernambuco e menos de uma hora ao sul de Ipojuca. Para chegar lá é necessário pegar um catamarã no piêr da Praia de Guadalupe, em um percurso de aproximadamente 25 minutos, até chegar lá e ver, com o perdão do clichê, paisagem de cartão postal: areia branca, coqueiral a perder de vista e um mar de águas verdinhas (ou seriam azuis) e transparentes. E ainda há o golpe final, no meio da praia, a beira mar, uma igrejinha branca erguida em homenagem a São Benedito. Passamos o dia entre caminhadas pela praia, banhos de mar e bate-papo com amigo no restaurante Bora-Bora, na Praia dos Carneiros. Único estabelecimento do local, esse restaurante possui instalações bastante agradáveis, com quiosques, banheiros, chuveiros de água doce e boa comida. No final da tarde, depois de um dia relaxante, voltamos a Porto de Galinhas e aproveitamos a última noite para jantar, com amigos que fizemos no hotel, no restaurante Cabidela da Natália, citado por vários guias, entre eles o 4 Rodas, como a melhor "galinha cabidela" do país, e que fica bem próximo ao hotel onde estávamos.

 Igrejinha erguida em homenagem a São Benedito - vista característica de quem está chegando à Praia dos Carneiros

 Descida do Catamarã com a maré baixa - aproximadamente uns 500 metros da praia. No final do dia, na hora de ir embora, o catamarã pegou a gente na praia.

 Praia dos Carneiros e ao fundo o restaurante onde almoçamos e passamos o dia.

Piscina natural nos recifes da Praia dos Carneiros

Na sexta-feira pela manhã tomamos café e, infelizmente, fomos nos preparar para voltar para casa. Não que a gente não goste de voltar para casa, mas é que a viagem foi tão boa que ficou aquela vontade de ficar mais um pouco.

domingo, 8 de agosto de 2010

Estrada da Graciosa e Morretes

Como já havíamos comentado anteriormente, no post denominado Mudança do nome e do foco de nosso blog (clique no link e leia o artigo), passaremos a relatar, descrever e comentar alguns outros passeios e viagens que fizermos, inclusive sobre Curitiba. Hoje, estreando essa nova fase, vamos falar sobre o agradabilíssimo passeio a Morretes, via Estrada da Graciosa.

A Estrada da Graciosa

Saindo de Curitiba pela BR-116, em direção a São Paulo, percorre-se 37 Km e chega-se à entrada da PR-410, mais conhecida como Estrada da Graciosa, a uma altitude de 1050 metros do nível do mar. A partir desse momento faz-se uma viagem ao passado.

Essa estrada foi um dos cinco caminhos coloniais que atravessavam a Serra do Mar, a partir do litoral em direção ao 1º planalto, onde fica Curitiba. Os primeiros relatos desse caminho datam de 1721 e dão conta de um trajeto indígena utilizado por jesuítas e mineradores e que foi cenário de muitas mortes devido aos ataques dos índios a esses viajantes.

A construção da estrada, no lugar da trilha indígena, teve início em 1854, durante o governo de Zacarias de Góes e Vasconcelos, Presidente da Província do Paraná, tendo suas obras finalizadas, muito provavelmente, em 1873. A estrada permaneceu, até meados do século XX, como a única estrada pavimentada do estado, sendo importante rota de escoamento da produção agrícola (café, erva-mate e madeira) do Paraná rumo aos portos de Paranaguá e Antonina.

A estrada atravessa o trecho, provavelmente, mais bem preservado da Mata Atlântica do Brasil, onde se destacam belos riachos e uma exuberante mata tropical. Parte dessa mata foi, em 1993, declarada, pela UNESCO, Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Nessa região existem dois importantes parques estaduais, o da Parque da Estrada da Graciosa e o Parque Roberto Ribas Lange.

A estrada possui trechos asfaltados e trechos com pavimentação de paralelepípedos, com muitas curvas sinuosas e uma paisagem maravilhosa, o que requer direção cuidadosa e baixa velocidade, para se evitar acidentes e para aproveitar o visual.

A estrada da Graciosa possui, no decorrer de seus quase 29 Km, 6 recantos equipados com quiosques para venda de produtos típicos, mirantes, sanitários e 80 churrasqueiras, restauradas e mantidas pelo Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER). A partir dos mirantes localizados nesses recantos é possível, com bom tempo, ter vistas deslumbrantes da Baía de Antonina e de Paranaguá, além de quedas d'água, rios cristalinos e os cumes do Pico Paraná (o ponto mais alto do sul do Brasil) e do cume do conjunto Marumbi, conhecido por Olimpo (segundo ponto mais alto do estado).

Chegando à localidade de São João da Graciosa, já na cidade de Morretes, há uma bifurcação que dá início à PR 411, que leva ao centro de Morretes, passando pela localidade de Porto de Cima. Já a PR 410 continua seu caminho por mais 6 Km, depois da bifurcação, e passa então a ser denominada PR 408, conduzindo à cidade de Antonina (da qual falaremos em outra oportunidade).

Localização dos recantos existentes na Estrada da Graciosa

Portal que indica o início da Estrada da Graciosa

Vista bucólica do início da estrada

Algumas das instalações de um dos seis recantos da estrada

A Ana Paula e ao fundo uma das muitas vistas exuberantes da estrada da Graciosa

Piso de paralelepípedo e pista estreita, características da estrada e que são o charme e a beleza do caminho

Ponte de ferro desativada e que virou ponto de atração turística, passa sobre um dos muitos rios que cortam a estrada

Visual maravilhoso da estrada

Ponto sobre o rio Nhundiaquara, na localidade de Porto de Cima - apenas um carro por vez, de um lado e de outro.

Ao lado da ponte de Porto de Cima - no local há instalações que dão suporte a turistas e funciona como balneário, bastante disputado em dias de calor, em especial no verão.

A bela Morretes

Depois da bela Estrada da Graciosa, chegamos a Morretes, cidade localizada ao pé da Serra do Mar, faz divisa com as cidades litorâneas do estado, fazendo parte da microrregião do litoral do Paraná. A fundação do povoado de Morretes data de 1721, mas a ocupação de seu território por mineradores e aventureiros paulistas, remonta ao ano de 1646, período em que foram descobertas jazidas de ouro na região.

Morretes foi o palco do primeiro teatro do Paraná em 1865. O teatro foi construído em homenagem à coroação de D. Pedro II. Infelizmente, um incêndio o destruiu em 1930.

Logo depois, foi construído na rua principal da cidade, o  lindíssimo Theatro Municipal, que funcionou por muitos anos também como cinema. Em 2002, ele foi restaurado por iniciativa do Governo do Estado do Paraná. 

As igrejas seculares também estão presentes, destacando-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto, construída em 1812 e a Igreja de São Benedito, construída por escravos em 1765.

A gastronomia sempre foi o cartão postal da cidade, principalmente pelo seu prato típico, o famoso barreado. O prato típico do litoral nasceu em Morretes com os caboclos da região que  colocavam os ingredientes principais (carne bovina, toucinho, cebola, alho, folhas de louro, cominho, pimenta vermelha, sal e pimenta do reino) em uma panela de barro e a “barreavam” (cozinhavam por 24 horas) para levá-la nas hortas das vilas. Logo depois, passou a ser consumido também no Carnaval, aonde era e ainda é costume saboreá-lo todos os dias, pois o barreado não perde o sabor mesmo após ser requentado diversas vezes.

Mas nem só de barreado vive a cidade! Morretes tem restaurantes para todos os gostos, que vão do churrasco aos mais variados frutos do mar.

Além disso, Morretes é o lar da famosa “cachaça morreteana”. Produzida até hoje em velhos alambiques e com uma qualidade sem igual. E pra acompanhar tudo isso, uma infinidade de opções como rapadura, melado, caldo de cana, balas de banana e a cultura do gengibre – Morretes já foi o principal exportador do país!

Em Morretes, almoçamos no restaurante do Hotel Nhundiaquara, construído no prédio mais antigo da cidade, do século XVII, que fica ao lado do marco zero da cidade. Recomendamos, o atendimento é muito bom, a vista é maravilhosa (fica às margens do Rio Nhundiaquara) e a culinária é excelente. Depois do almoço é possível dar uma caminhada pelas ruas limpas e praças arborizadas e observar a beleza dos casarões antigos bem preservados.

Centro de informações turísticas de Morretes

Ana Paula e Ana Carolina no coreto em uma das praças de Morretes

Pontes e construções antigas embelezam a paisagem de Morretes

Edifício do Hotel e Restaurante Nhundiaquara, o mais antigo da cidade.

Restaurante do Hotel Nhundiaquara, às margens do rio que leva o mesmo nome. Na foto a Ana Paula, Ana Carolina, dona Dione (minha mãe) e seu Ewaldo (meu pai).

Ana Paula e Ana Carolina com as ruas limpas e as construções antigas e bem conservadas de Morretes





sábado, 31 de julho de 2010

Viajando de carro pelos Estados Unidos

Depois de alguns dias sem postar no blog, estamos aqui novamente. Já estava com saudades de poder compartilhar experiências de viagem com vocês, por isso esse post é para falar sobre a experiência e dicas sobre viajar de carro pelos EUA.

Bom, para começo de conversa, dirigir nos EUA é um imenso prazer. Os americanos, ao que nos pareceu, são viciados em "cair na estrada". Tanto é que no Museu de História Americana, em Washington, há um setor inteiro dedicado à saga e ao gosto americano pelas viagens, com foco especial às viagens rodoviárias, chamado "America on the move" (vale a pena a visita).

E esse gosto pelas viagens rodoviárias (normalmente de carro ou em motorhomes) parece refletir na estrutura das estradas colocada à disposição dos viajantes.

Documentação necessária


Como já havia comentado em outro post, há muita divergência sobre a necessidade ou não de portar a PID (Permissão Internacional para Dirigir). Há fontes que relatam que apenas a CNH brasileira, válida e para ser utilizada em um período máximo de até 90 dias, é o suficiente. Outras fontes dizem que há a necessidade a PID. E essas informações dúbias podem ser encontradas, inclusive, nos sites dos departamentos de trânsito (DETRAN) dos estados.

De qualquer maneira, embora não tenham sido necessária em nenhum momento, julgo prudente tirar a PID quando for dirigir nos EUA. Para quem tiver curiosidade e quiser tirar mais dúvidas sobre a PID é só clicar aqui e poderá ler um artigo específico sobre esse documento.

Dirigindo em estradas


O que chama muito a atenção nas estradas americanas, além, é óbvio, das ótimas condições da pista de rolamento, é a estrutura de apoio colocada à disposição do viajante.

Nas estradas principais (as Interstates ou as US), embora não deixem de existir, em menor número, nas demais, há um número bastante grande de "rest areas" (áreas de descanso), locais dotados de banheiros, estacionamentos, "vending machines" de quase tudo o que possa se imaginar (de café a salgadinhos, passando por água, refrigerantes e jornais, entre outras coisas) e "pet areas" (locais para que os animais de estimação possam caminhar, relaxar e fazer suas necessidades). Em alguns casos, quando se está entrando em um estado, as "rest areas" são também centros de informações turísticas (os visitor centers). São locais bastante úteis e que, realmente, funcionam para o fim que se destinam. Os banheiros são limpos, as "vending machines" dão uma força na hora de matar a sede ou fazer uma "boquinha" e os estacionamentos são bastante úteis para dar uma descansada, se for o caso, depois de uma perna longa de viagem. São locais seguros, onde se pode, inclusive, dormir, de dia ou de noite.

Outro detalhe bem bacana das estradas americanas são as saídas (exits). Nas estradas principais, não há instalações de comércio ou serviço ligadas diretamente às estradas. Elas sempre estão localizadas nas saídas para estradas secundárias, que fazem ligação às cidades ou distritos. O interessante disso tudo é que existem saídas aos montes (a cada 3 ou 4 milhas, em média) e em cada uma dessas saídas o viajante pode encontrar postos de combustíveis, restaurantes, lanchonetes, áreas de camping, hotéis e, em alguns casos, outlets (shoppings de ponta de estoque - que, na maioria dos casos, de ponta de estoque só tem o nome). E mais interessante e útil ainda para o viajante, é o fato de que é possível saber com antecedência o que poderá ser encontrado em cada uma das saídas, por meio de placas colocadas previamente às saídas e que informam as facilidades disponibilizadas naquele local. E há placas específicas para restaurantes e lanchonetes, postos de combustíveis, locais para estadia e comércio em geral.

Placa informando os restaurantes existentes na próxima saída

Placa indicativa de Rest Area e as comodidades existentes nela

Placa indicativa de área para animais de estimação em uma Rest Area

Área de estacionamento em uma rest area

Placa indicativa de instalações para estadia em uma saída da I-95

Placa indicativa de postos de combustível em uma saída da I-95

Além de todas as facilidades disponibilizadas nas rest areas e a facilidade de acesso a estabelecimentos úteis ao viajante nas saídas, as estradas nos Estados Unidos são muito bem sinalizadas. De qualquer maneira, um bom GPS é indispensável para quem vai realizar viagens mais longas ou por cidades maiores e mais movimentadas, como Washington, New York, Philadelphia, entre outras.

Festival de placas de sinalização para orientar o viajante pelas estradas dos EUA.

Uma dos muitos emaranhados de rotas que, embora bem sinalizadas, demandam um bom GPS (e olha que esse emaranhado foi dos menores que encontramos, existem alguns inimagináveis)

Um outro detalhe bastante interessante das estradas, ligado à questão de segurança do viajante, são os call box, telefones disponibilizados a cada milha (em algumas estradas) a serem utilizados em situação de emergência, tanto para informar uma situação, quanto para solicitar auxílio. Além disso, placas pela estrada sempre indicam uma rádio, normalmente AM, pela qual são transmitidos boletins e orientações aos viajantes sobre situações de emergência, acidentes, furacões, entre outros.

Placa que indica a existência de um call box

Placa que indica a rádio que deverá ser utilizada para transmissão de boletins e informações aos viajantes.

Uma coisa que nos chamou muito a atenção durante as 1.700 milhas que rodamos pelo EUA foi a ausência de postos fixos de fiscalização de policiamento rodoviário (muito comuns pelas estradas brasileiras) e, ainda assim, não presenciamos nenhum grande acidente rodoviário e podemos afirmar que o motorista americano é, na média, muito educado e civilizado, sendo muito fácil dirigir por suas estradas.

Com relação a pedágios, eles não são tão comuns como poderia se imaginar pelas excelentes condições das estradas. Quando há, relativamente, são mais baratos que muitos pedágios existentes em estradas brasileiras. Uma outra diferença percebida é a de que, na maioria das estradas que são pedagiadas, a tarifa é cobrada em função do trecho percorrido pela estrada e não por um valor padrão adotado para uma praça de pedágio específica.

Dirigir em área urbana

Diferentemente de dirigir pelas estradas, em áreas urbanas a coisa muda de figura e o prazer de dirigir, normalmente, é trocado por tráfego intenso. Nessas situações é que o GPS se mostra essencial, principalmente quando não se conhece a cidade. Mas não há grandes dificuldades, a sinalização de trânsito é semelhante à nossa, bem como a mão de trânsito. O que é preciso ter atenção é com relação à travessia de pedestres. Diferentemente da realidade brasileira, quando o semáforo está aberto para o sentido da rua pela qual se trafega, ele também estará para o pedestre que atravessa a rua transversal à sua e, obviamente, tem a precedência frente aos veículos, ou seja, quando o semáforo abrir para você e você for entrar a esquerda ou à direita, aguarde a travessia dos pedestres, os quais têm a preferência e o semáforo de pedestres aberto para eles.

No mais é aproveitar a oportunidade e curtir a viagem, tomando cuidado para respeitar as leis de trânsito, pois, caso contrário, será multa na certa e não haverá "jeitinho brasileiro" para resolver o caso.