domingo, 8 de agosto de 2010

Estrada da Graciosa e Morretes

Como já havíamos comentado anteriormente, no post denominado Mudança do nome e do foco de nosso blog (clique no link e leia o artigo), passaremos a relatar, descrever e comentar alguns outros passeios e viagens que fizermos, inclusive sobre Curitiba. Hoje, estreando essa nova fase, vamos falar sobre o agradabilíssimo passeio a Morretes, via Estrada da Graciosa.

A Estrada da Graciosa

Saindo de Curitiba pela BR-116, em direção a São Paulo, percorre-se 37 Km e chega-se à entrada da PR-410, mais conhecida como Estrada da Graciosa, a uma altitude de 1050 metros do nível do mar. A partir desse momento faz-se uma viagem ao passado.

Essa estrada foi um dos cinco caminhos coloniais que atravessavam a Serra do Mar, a partir do litoral em direção ao 1º planalto, onde fica Curitiba. Os primeiros relatos desse caminho datam de 1721 e dão conta de um trajeto indígena utilizado por jesuítas e mineradores e que foi cenário de muitas mortes devido aos ataques dos índios a esses viajantes.

A construção da estrada, no lugar da trilha indígena, teve início em 1854, durante o governo de Zacarias de Góes e Vasconcelos, Presidente da Província do Paraná, tendo suas obras finalizadas, muito provavelmente, em 1873. A estrada permaneceu, até meados do século XX, como a única estrada pavimentada do estado, sendo importante rota de escoamento da produção agrícola (café, erva-mate e madeira) do Paraná rumo aos portos de Paranaguá e Antonina.

A estrada atravessa o trecho, provavelmente, mais bem preservado da Mata Atlântica do Brasil, onde se destacam belos riachos e uma exuberante mata tropical. Parte dessa mata foi, em 1993, declarada, pela UNESCO, Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Nessa região existem dois importantes parques estaduais, o da Parque da Estrada da Graciosa e o Parque Roberto Ribas Lange.

A estrada possui trechos asfaltados e trechos com pavimentação de paralelepípedos, com muitas curvas sinuosas e uma paisagem maravilhosa, o que requer direção cuidadosa e baixa velocidade, para se evitar acidentes e para aproveitar o visual.

A estrada da Graciosa possui, no decorrer de seus quase 29 Km, 6 recantos equipados com quiosques para venda de produtos típicos, mirantes, sanitários e 80 churrasqueiras, restauradas e mantidas pelo Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER). A partir dos mirantes localizados nesses recantos é possível, com bom tempo, ter vistas deslumbrantes da Baía de Antonina e de Paranaguá, além de quedas d'água, rios cristalinos e os cumes do Pico Paraná (o ponto mais alto do sul do Brasil) e do cume do conjunto Marumbi, conhecido por Olimpo (segundo ponto mais alto do estado).

Chegando à localidade de São João da Graciosa, já na cidade de Morretes, há uma bifurcação que dá início à PR 411, que leva ao centro de Morretes, passando pela localidade de Porto de Cima. Já a PR 410 continua seu caminho por mais 6 Km, depois da bifurcação, e passa então a ser denominada PR 408, conduzindo à cidade de Antonina (da qual falaremos em outra oportunidade).

Localização dos recantos existentes na Estrada da Graciosa

Portal que indica o início da Estrada da Graciosa

Vista bucólica do início da estrada

Algumas das instalações de um dos seis recantos da estrada

A Ana Paula e ao fundo uma das muitas vistas exuberantes da estrada da Graciosa

Piso de paralelepípedo e pista estreita, características da estrada e que são o charme e a beleza do caminho

Ponte de ferro desativada e que virou ponto de atração turística, passa sobre um dos muitos rios que cortam a estrada

Visual maravilhoso da estrada

Ponto sobre o rio Nhundiaquara, na localidade de Porto de Cima - apenas um carro por vez, de um lado e de outro.

Ao lado da ponte de Porto de Cima - no local há instalações que dão suporte a turistas e funciona como balneário, bastante disputado em dias de calor, em especial no verão.

A bela Morretes

Depois da bela Estrada da Graciosa, chegamos a Morretes, cidade localizada ao pé da Serra do Mar, faz divisa com as cidades litorâneas do estado, fazendo parte da microrregião do litoral do Paraná. A fundação do povoado de Morretes data de 1721, mas a ocupação de seu território por mineradores e aventureiros paulistas, remonta ao ano de 1646, período em que foram descobertas jazidas de ouro na região.

Morretes foi o palco do primeiro teatro do Paraná em 1865. O teatro foi construído em homenagem à coroação de D. Pedro II. Infelizmente, um incêndio o destruiu em 1930.

Logo depois, foi construído na rua principal da cidade, o  lindíssimo Theatro Municipal, que funcionou por muitos anos também como cinema. Em 2002, ele foi restaurado por iniciativa do Governo do Estado do Paraná. 

As igrejas seculares também estão presentes, destacando-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto, construída em 1812 e a Igreja de São Benedito, construída por escravos em 1765.

A gastronomia sempre foi o cartão postal da cidade, principalmente pelo seu prato típico, o famoso barreado. O prato típico do litoral nasceu em Morretes com os caboclos da região que  colocavam os ingredientes principais (carne bovina, toucinho, cebola, alho, folhas de louro, cominho, pimenta vermelha, sal e pimenta do reino) em uma panela de barro e a “barreavam” (cozinhavam por 24 horas) para levá-la nas hortas das vilas. Logo depois, passou a ser consumido também no Carnaval, aonde era e ainda é costume saboreá-lo todos os dias, pois o barreado não perde o sabor mesmo após ser requentado diversas vezes.

Mas nem só de barreado vive a cidade! Morretes tem restaurantes para todos os gostos, que vão do churrasco aos mais variados frutos do mar.

Além disso, Morretes é o lar da famosa “cachaça morreteana”. Produzida até hoje em velhos alambiques e com uma qualidade sem igual. E pra acompanhar tudo isso, uma infinidade de opções como rapadura, melado, caldo de cana, balas de banana e a cultura do gengibre – Morretes já foi o principal exportador do país!

Em Morretes, almoçamos no restaurante do Hotel Nhundiaquara, construído no prédio mais antigo da cidade, do século XVII, que fica ao lado do marco zero da cidade. Recomendamos, o atendimento é muito bom, a vista é maravilhosa (fica às margens do Rio Nhundiaquara) e a culinária é excelente. Depois do almoço é possível dar uma caminhada pelas ruas limpas e praças arborizadas e observar a beleza dos casarões antigos bem preservados.

Centro de informações turísticas de Morretes

Ana Paula e Ana Carolina no coreto em uma das praças de Morretes

Pontes e construções antigas embelezam a paisagem de Morretes

Edifício do Hotel e Restaurante Nhundiaquara, o mais antigo da cidade.

Restaurante do Hotel Nhundiaquara, às margens do rio que leva o mesmo nome. Na foto a Ana Paula, Ana Carolina, dona Dione (minha mãe) e seu Ewaldo (meu pai).

Ana Paula e Ana Carolina com as ruas limpas e as construções antigas e bem conservadas de Morretes





sábado, 31 de julho de 2010

Viajando de carro pelos Estados Unidos

Depois de alguns dias sem postar no blog, estamos aqui novamente. Já estava com saudades de poder compartilhar experiências de viagem com vocês, por isso esse post é para falar sobre a experiência e dicas sobre viajar de carro pelos EUA.

Bom, para começo de conversa, dirigir nos EUA é um imenso prazer. Os americanos, ao que nos pareceu, são viciados em "cair na estrada". Tanto é que no Museu de História Americana, em Washington, há um setor inteiro dedicado à saga e ao gosto americano pelas viagens, com foco especial às viagens rodoviárias, chamado "America on the move" (vale a pena a visita).

E esse gosto pelas viagens rodoviárias (normalmente de carro ou em motorhomes) parece refletir na estrutura das estradas colocada à disposição dos viajantes.

Documentação necessária


Como já havia comentado em outro post, há muita divergência sobre a necessidade ou não de portar a PID (Permissão Internacional para Dirigir). Há fontes que relatam que apenas a CNH brasileira, válida e para ser utilizada em um período máximo de até 90 dias, é o suficiente. Outras fontes dizem que há a necessidade a PID. E essas informações dúbias podem ser encontradas, inclusive, nos sites dos departamentos de trânsito (DETRAN) dos estados.

De qualquer maneira, embora não tenham sido necessária em nenhum momento, julgo prudente tirar a PID quando for dirigir nos EUA. Para quem tiver curiosidade e quiser tirar mais dúvidas sobre a PID é só clicar aqui e poderá ler um artigo específico sobre esse documento.

Dirigindo em estradas


O que chama muito a atenção nas estradas americanas, além, é óbvio, das ótimas condições da pista de rolamento, é a estrutura de apoio colocada à disposição do viajante.

Nas estradas principais (as Interstates ou as US), embora não deixem de existir, em menor número, nas demais, há um número bastante grande de "rest areas" (áreas de descanso), locais dotados de banheiros, estacionamentos, "vending machines" de quase tudo o que possa se imaginar (de café a salgadinhos, passando por água, refrigerantes e jornais, entre outras coisas) e "pet areas" (locais para que os animais de estimação possam caminhar, relaxar e fazer suas necessidades). Em alguns casos, quando se está entrando em um estado, as "rest areas" são também centros de informações turísticas (os visitor centers). São locais bastante úteis e que, realmente, funcionam para o fim que se destinam. Os banheiros são limpos, as "vending machines" dão uma força na hora de matar a sede ou fazer uma "boquinha" e os estacionamentos são bastante úteis para dar uma descansada, se for o caso, depois de uma perna longa de viagem. São locais seguros, onde se pode, inclusive, dormir, de dia ou de noite.

Outro detalhe bem bacana das estradas americanas são as saídas (exits). Nas estradas principais, não há instalações de comércio ou serviço ligadas diretamente às estradas. Elas sempre estão localizadas nas saídas para estradas secundárias, que fazem ligação às cidades ou distritos. O interessante disso tudo é que existem saídas aos montes (a cada 3 ou 4 milhas, em média) e em cada uma dessas saídas o viajante pode encontrar postos de combustíveis, restaurantes, lanchonetes, áreas de camping, hotéis e, em alguns casos, outlets (shoppings de ponta de estoque - que, na maioria dos casos, de ponta de estoque só tem o nome). E mais interessante e útil ainda para o viajante, é o fato de que é possível saber com antecedência o que poderá ser encontrado em cada uma das saídas, por meio de placas colocadas previamente às saídas e que informam as facilidades disponibilizadas naquele local. E há placas específicas para restaurantes e lanchonetes, postos de combustíveis, locais para estadia e comércio em geral.

Placa informando os restaurantes existentes na próxima saída

Placa indicativa de Rest Area e as comodidades existentes nela

Placa indicativa de área para animais de estimação em uma Rest Area

Área de estacionamento em uma rest area

Placa indicativa de instalações para estadia em uma saída da I-95

Placa indicativa de postos de combustível em uma saída da I-95

Além de todas as facilidades disponibilizadas nas rest areas e a facilidade de acesso a estabelecimentos úteis ao viajante nas saídas, as estradas nos Estados Unidos são muito bem sinalizadas. De qualquer maneira, um bom GPS é indispensável para quem vai realizar viagens mais longas ou por cidades maiores e mais movimentadas, como Washington, New York, Philadelphia, entre outras.

Festival de placas de sinalização para orientar o viajante pelas estradas dos EUA.

Uma dos muitos emaranhados de rotas que, embora bem sinalizadas, demandam um bom GPS (e olha que esse emaranhado foi dos menores que encontramos, existem alguns inimagináveis)

Um outro detalhe bastante interessante das estradas, ligado à questão de segurança do viajante, são os call box, telefones disponibilizados a cada milha (em algumas estradas) a serem utilizados em situação de emergência, tanto para informar uma situação, quanto para solicitar auxílio. Além disso, placas pela estrada sempre indicam uma rádio, normalmente AM, pela qual são transmitidos boletins e orientações aos viajantes sobre situações de emergência, acidentes, furacões, entre outros.

Placa que indica a existência de um call box

Placa que indica a rádio que deverá ser utilizada para transmissão de boletins e informações aos viajantes.

Uma coisa que nos chamou muito a atenção durante as 1.700 milhas que rodamos pelo EUA foi a ausência de postos fixos de fiscalização de policiamento rodoviário (muito comuns pelas estradas brasileiras) e, ainda assim, não presenciamos nenhum grande acidente rodoviário e podemos afirmar que o motorista americano é, na média, muito educado e civilizado, sendo muito fácil dirigir por suas estradas.

Com relação a pedágios, eles não são tão comuns como poderia se imaginar pelas excelentes condições das estradas. Quando há, relativamente, são mais baratos que muitos pedágios existentes em estradas brasileiras. Uma outra diferença percebida é a de que, na maioria das estradas que são pedagiadas, a tarifa é cobrada em função do trecho percorrido pela estrada e não por um valor padrão adotado para uma praça de pedágio específica.

Dirigir em área urbana

Diferentemente de dirigir pelas estradas, em áreas urbanas a coisa muda de figura e o prazer de dirigir, normalmente, é trocado por tráfego intenso. Nessas situações é que o GPS se mostra essencial, principalmente quando não se conhece a cidade. Mas não há grandes dificuldades, a sinalização de trânsito é semelhante à nossa, bem como a mão de trânsito. O que é preciso ter atenção é com relação à travessia de pedestres. Diferentemente da realidade brasileira, quando o semáforo está aberto para o sentido da rua pela qual se trafega, ele também estará para o pedestre que atravessa a rua transversal à sua e, obviamente, tem a precedência frente aos veículos, ou seja, quando o semáforo abrir para você e você for entrar a esquerda ou à direita, aguarde a travessia dos pedestres, os quais têm a preferência e o semáforo de pedestres aberto para eles.

No mais é aproveitar a oportunidade e curtir a viagem, tomando cuidado para respeitar as leis de trânsito, pois, caso contrário, será multa na certa e não haverá "jeitinho brasileiro" para resolver o caso.

sábado, 24 de julho de 2010

Mudança do nome e do foco de nosso blog.

Caros amigos e leitores, em virtude de nossa aventura de viajar durante 15 dias pelas estradas dos EUA, de Miami a New York, de carro ter se encerrado, passamos a nos questionar sobre o que fazer com nosso blog. Simplesmente abandoná-lo ou continuar contribuindo, com quem tenha interesse, com dicas e fatos sobre viagens e locais a serem visitados. Optamos pela segunda hipótese e concluímos que podemos auxiliar outros viajantes, como nós, com dicas à respeito de nossas viagens e passeios (mesmo aqueles curtos e locais), além de divulgar pontos turísticos e características de nossa cidade-natal, Curitiba. Além disso, todos que quiserem nos enviar textos ou dados de suas viagens, os quais queiram dividir com todos, o façam. Teremos o prazer em divulgar por meio desse blog, com vistas à melhoria do planejamento da viagem de todos que nos acompanham.

Sendo assim, daqui para frente, nosso blog passará a se chamar, como vocês já devem ter percebido, "Viajando com a Família Souza". Esperamos que todos que nos acompanharam até aqui gostem dessa nossa alteração e continuem nos acompanhando. Da mesma forma, nosso objetivo é contribuir com a divulgação da cultura do viajante, auxiliar, com dicas, àqueles que estão organizando seus passeios e, também, aprender com a troca de informações e a necessidade de pesquisa para elaborar cada um dos artigos a serem postados no blog.

Mas, chega de papo-furado e vamos ao que interessa. Espero que vocês gostem desse novo trabalho e continuem nos acompanhando. Um grande abraço a todos e até nosso próximo post.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O retorno...outro dia que parecia que não ia acabar!!! - 16 e 17 de julho de 2010

Vamos começar já pedindo desculpas pela demora em postar notícias sobre nosso último dia nos EUA e sobre a volta. É que estávamos sem condições...físicas e psicológicas. Vocês não imaginam o que foi a volta...ou imaginam, se estão acompanhando as notícias sobre os aeroportos nesse período de férias.

Nosso último dia começou, relativamente, bem tranquilo. Levantamos sem muita pressa, pois nossas bagagens já estavam organizadas, e fomos tomar café, dessa vez no Dunkin' Donuts, e dar uma última volta pelas redondezas do hotel, do Grand Central Terminal e do Chrysler Building.

Por volta de 10h, voltamos ao hotel para tomar um banho, colocar a roupa da viagem, fechar as malas e fazer o check out. Depois de realizados esses procedimentos, deixamos nossas bagagens guardadas no Bell Desk (serviço dos hotéis destinado a fazer a guarda de bagagens - normalmente cobrado por itens deixados no local - no caso do Grand Hyatt, US$ 2,00 por item) e fomos dar uma última passeada no Grand Central Terminal, já que estava um calor de fritar ovo em asfalto e não queríamos ficar suando, já que não teríamos onde tomar outro banho antes da viagem. Aí já viu, imaginem viajar pouco mais de 12 horas (que era o que imaginávamos que ia acontecer...e não foi) suado e grudento (fora o cheiro!).

Pois bem, não deu muito certo. Mesmo com ar-condicionado, o calor não estava dando muita trégua no Grand Central Terminal e já estávamos começando a dar alguns sinais de que o banho do final da manhã ia vencer antes do tempo. Assim, resolvemos voltar para o lobby do hotel que estava com o ar-condicionado regulado no nível Sibéria e estava mais confortável. Estava tão baixa temperatura do lobby que a Ana Carolina precisou colocar um moleton. Mas, pelo menos ali, não suávamos.

Dessa forma, o jeito foi procurar por um lugar para se acomodar (o que não foi fácil) e esperar pelo horário do transfer, que estava marcado para as 17h30min. Tínhamos umas cinco horas para ficar por ali matando tempo. Já que não tinha outro jeito, arrumamos um lugar (três poltronas e uma mesinha de centro) e "armamos nosso acampamento". Um negócio mais para sem-teto do que para quem estava fazendo turismo no exterior. Ali comemos sanduíches comprados no café do hotel, lemos livros, acessamos a internet, escutamos música, quase dormimos, entre outras muitas outras coisas. Parecia que ia chegar o dia seguinte e não chegava cinco da tarde.

Por falar em cinco da tarde, embora estivesse marcado para as cinco e meia, o motorista do transfer chegou às cinco. Era um brasileiro que está a 10 anos em Nova Iorque e já a algum tempo vem trabalhando com transfer e ajuda a brasileiros que visitam a cidade. Duas coisas foram boas, primeiro que ele chegou um pouco mais cedo, o que diminuiu um pouco nossa ansiedade (o que, mais para frente, vocês verão que não adiantaria de nada) e, segundo, que o cara conhecia um monte de atalhos da região onde fica o aeroporto, o Queensborough, já que o cidadão mora por lá, como, segundo ele, a grande maioria de todos os brasileiros que vivem em NY. Como fomos cortando caminho, acabamos por fazer um tour pelo Queens.

Chegamos no aeroporto por volta de 18h e fomos direto fazer o check in e despachar as malas. O terminal 3, operado pela Delta e de onde sai a grande maioria de seus voos, tem uma aparência bastante ruim, contribuindo com essa imagem o péssimo atendimento do pessoal da Delta no balcão de check in. Despachadas as bagagens e realizados os procedimentos de segurança, fomos para a sala de embarque aguardar o horário do voo. E, para não perder o costume, no caminho demos uma passadinha no Starbuck's do aeroporto para pegar alguns frapuccinos.

Bem próximo do horário do voo fomos informados, por meio do serviço de som do aeroporto, de que deveríamos mudar de sala de embarque, saindo da sala 4 e indo para a sala 6. No sentido contrário, os passageiros da sala 6, em sua esmagadora maioria americanos e europeus, iriam embarcar para Zurique. Quando chegamos na sala 6 fomos direto para a fila de embarque, já que estava no horário. Foi aí que descobrimos que o avião que estava estacionado na ponte de embarque da sala 6, que seria utilizado para o voo para Zurique, estava com problemas mecânicos e que a aeronave que estava estacionada na ponte de embarque da sala 4, que seria utilizado para a viagem ao Brasil, como não apresentava problemas, foi repassado aos passageiros que iriam para a Europa.

Para dar uma resumida na história e não deixar nossos leitores tão ansiosos e chateados quanto nós e todo o resto dos passageiros do voo (composto, quase na totalidade, por brasileiros), após um sem número de atrasos nos procedimentos de embarque, em virtude da tal manutenção do avião, o voo saiu de Nova Iorque às 02h20min da madrugada, com 4h40min de atraso, pois deveria ter saído às 09h40min da noite.

Daí já dá para imaginar como estava o clima na sala de embarque. Gente dormindo no chão e nos bancos. Pessoal brigando com os funcionários da Delta que ainda estavam no local e por aí vai.

Com todo esse atraso, fomos jantar, já durante o voo, às três horas da madrugada (no horário de lá, as quatro no horário daqui) e tomar café da manhã às 11h da manhã (horário daqui), uma hora e vinte minutos antes do pouso. A Ana Paula, como não queria ver nada, no caso de dar alguma coisa errada com o avião, já que tinha passado por manutenção por estar com problemas mecânicos, tomou um Dramin e capotou. Diz ela que não viu nada durante a viagem. Já a Ana Carolina diz que viu tudo, inclusive as turbulências. Eu fiquei no meio termo. Não cheguei a capotar, como a Ana Paula, mas também não vi tudo, como a Ana Carolina. Embora eu não lembre de nada entre o avião iniciar o taxiamento e ele já estar em altitude de cruzeiro, tal era o estado deplorável de sono que estava.

Com todo esse atraso, já sabíamos que a conexão para Curitiba já era. Chegamos em São Paulo no horário em deveríamos estar levantando voo para casa. Aí foi outra novela. Durante o procedimento de pouso, fomos informados pelo comissário de bordo que a equipe de solo da Delta iria atender os passageiros que tivessem com problemas de conexão. Era só, segundo o funcionário da Delta, passar pela imigração, pegar as bagagens, passar pela alfândega e procurar o balcão da Delta. Maravilha. Tudo muito tranquilo. Na teoria.

Depois que passamos pela alfândega, com todos as nossas bagagens em ordem, saímos da área de desembarque internacional e fomos procurar os tais funcionários da Delta que iriam nos ajudar. Doce ilusão. Não havia ninguém. Procuramos o escritório da Delta. Estava fechado e não havia ninguém no lugar. Balcão da Delta? Só abriria às 16h. Depois de mais de 30 minutos andando para lá e para cá dentro do aeroporto de Guarulhos (percorri, nesse tempo, as quatro asas do terminal umas três vezes, pelos dois andares, e em cada canto - não sei não, mas acho que deve ser um recorde - vou até procurar o Guinness para saber...rssss), não sabendo mais o que fazer e louco para chegar em casa, resolvi procurar a Gol, empresa para a qual a Delta terceirizou o trecho para Curitiba. Depois de um certo tempo explicando para o atendente da empresa o caso e de o mesmo não encontrar as nossas reservas, o cidadão fez uma ligação para sua chefia e conseguiu remarcar o voo que havíamos perdido por culpa da Delta. Problema, eram 13h15min e voo somente estava previsto para sair às 18h10min.

Resolvido o problema de voltar para Curitiba, fomos resolver o problema do nosso almoço e do que fazer até a hora do voo, tendo em vista que nossa capacidade de aturar salas de embarque e aeroportos já estava bem, mas bem mesmo, curtinha. Comemos dois salgadinhos e tomamos um refrigerante cada um a preço de almoço completo (R$ 38,00) e quase que entrei numa confusão com um engraçadinho que, depois de tudo que nós tínhamos passado, queria furar a fila e entrar na minha frente. Quem me conhece sabe que isso não é muito normal, mas, naquela altura do campeonato, dei até graças que o cidadão percebeu a mancada e foi para o fim da fila. E até acabei sendo apoiado e parabenizado pelo restante do pessoal que estava esperando também. Menos mal, pelo menos não fiquei com a consciência pesada de ter pisado na bola.

Comemos, fomos para a sala de embarque, esperamos a hora e.....fomos mudados de sala.

Aí começou a bater o desespero de verdade. Mais de 24 horas entre aeroportos e voos, mudanças de sala, atrasos e, na hora H, somos novamente mudados e fomos enviados para uma sala super-mega-extra-hiper-lotada, desorganizada e para aguardar um ônibus disponível para nos levar ao avião. Já dá para imaginar como é que estava o nível da água no copo. Já estava transbordando fazia um tempo.

Ajudou bastante o fato de que o voo estava relativamente vazio e o procedimento de embarque foi rápido e, em pouco tempo, já estávamos voando, finalmente, para casa, com um atraso de apenas uns 20 minutos. Por volta de 19h40min chegamos a Curitiba, onde meus pais estavam nos aguardando para nos levar para casa. Não deu nem para acreditar quando chegamos em casa. O que ajudou, ainda mais, a amenizar o cansaço foi chegar em casa e encontrar o Sushi (nosso cachorro) feliz da vida de nos ver. Só quem tem cachorro sabe como é legal chegar em casa depois desse tempo e encontrar o bichinho. A festa que eles fazem compensa o cansaço.

Algumas constatações que já podemos fazer:
1. Embora muita gente não vá concordar (pior, vai achar um absurdo) com meu comentário, ninguém que goste de viajar deveria se dar o direito de morrer sem conhecer Nova Iorque. Ô "cidadezinha" bacana. Com certeza volto lá um dia, até por que devemos uma visita para nossa amiga Cris Ferri.
2. Viajar de carro em país estruturado é "show de bola". Não tem nada a ver com viajar de carro aqui no Brasil (já sei que vai vir "cacetada" dos nacionalistas ortodoxos e dos anti-americanos, mas que é legal, ah isso é!!!!).
3. O jornal francês Le Monde está absolutamente certo. Savannah é a cidade mais bonita dos EUA. E olha que só conhecemos algumas. Mas que Savannah é um dos lugares mais legais que já conheci, ah isso é. Morava fácil, fácil por lá.
4. Essa eu já sabia, mas agora tenho a companhia do resto da família. Viajar é a melhor coisa do mundo e o valor cultural agregado ninguém tira de você e não tem o que pague. Para todo o resto a gente usa o cartão de crédito....

Para quem gostou de nos acompanhar ou está a procura de dicas sobre viagem desse tipo, esse blog não pára por aqui. Vamos continuar postando notícias e artigos sobre os lugares visitados, sobre o que acertamos e no que erramos, sobre dirigir nos EUA e sobre qual será nossa próxima aventura.

Gostaríamos de agradecer a todos que nos acompanharam nessa empreitada e que participaram do nosso blog com comentários que, para nós, serviam como fator de motivação para continuar escrevendo e partilhando nossa experiência.

A todos aqueles que, como nós, pretende partir para uma empreitada dessa, nos colocamos à disposição para compartilhar nossa experiência e auxiliar naquilo que estiver ao nosso alcance para tornar ainda melhor sua viagem.

Nós "acampados" no lobby do hotel "almoçando" e esperando a hora de ir embora

sexta-feira, 16 de julho de 2010

New York - 3º dia - 15 de julho de 2010

Dia 15 de julho de 2010, último dia de passeios por New York e pelos Estados Unidos, tendo em vista que o dia 16 de julho seria dedicado apenas aos preparativos da volta, transfer e viagem.

Começamos o dia caminhando até a Estação 42nd St, com uma parada estratégica na Starbuck's ao lado para tomar café, com a finalidade de irmos ao Museu do Bombeiro de Nova Iorque. Tomamos a linha 1 do metrô para downtown e descemos na Houston Station. De lá caminhamos por quatro quadras até o museu. Pela primeira vez precisávamos ir devagar, sem pressa, pois ainda eram 9h30mins e, segundo as informações disponíveis no site do museu, ele só abriria as 10h. Para nossa surpresa, quando chegamos lá, por volta de 9h35min, já havia um bombeiro que cuida do local e este fez questão que entrássemos e já fossemos conhecendo o local. Nos fez uma breve explanação sobre como estavam disponibilizados os artefatos no museu e como fazer para conhecê-lo melhor. Sorte nossa, estávamos apenas nós lá dentro e ainda ganhamos meia hora pela frente nesse nosso último dia. Mesmo não sendo um museu grande, em virtude do interesse (meu, obviamente!), gastamos mais de uma hora e meia para visitá-lo.

O museu é muito bem organizado e funciona em uma edificação de 1904, no estilo Beaux-Arts, originalmente construído para abrigar a Engine Company 30, do Corpo de Bombeiros de Nova Iorque. Apresenta, em dois andares da edificação, a evolução do Corpo de Bombeiros de Nova Iorque, desde os seus primórdios, por meio da exposição de veículos, equipamentos e fotos antigas, além de outros artefatos de interesse histórico. Vale uma nota especial as duas salas destinadas ao desastre, para o Corpo de Bombeiros, do ataque às Torres Gêmeas, em setembro de 2001. Sou obrigado a confessar que fiquei bastante emocionado com as fotos, relatos e artigos expostos naquelas duas salas. Para quem é da área, e mesmo para quem não é, mas gosta de um museu, essa visita é obrigatória.

Entrada do Museu do Corpo de Bombeiros de Nova Iorque

Fachada do prédio construído em 1904 para abrigar a Engine Company 30 e onde hoje funciona o museu

A Ana Carolina e uma das viaturas expostas - um American La France de 1921

Com o mesmo American La France 1921

Entrada do setor destinado ao 11 de setembro de 2001

Capacete de bombeiro desconhecido retirado dos escombros. Todos os corpos de bombeiros eram retirados dos escombros enrolados em bandeiras dos EUA. Como vários nunca foram encontrados, várias bandeiras ficaram sem ser usadas para essa finalidade. Esta que aparece com o capacete é uma delas

Memorial com a foto e o nome dos 343 bombeiros que tombaram no 11 de setembro de 2001

Fotos que demonstram a cronologia do evento e, acima, o letreiro de uma das viaturas que foram soterradas e que teve sua equipe totalmente perdida

Depois de visitarmos o Museu do Bombeiro, tomamos novamente o metrô em direção ao sul da ilha. Descemos na Rector Station e caminhamos ao Ground Zero, onde, um dia, estavam localizadas as Torres Gêmeas. Hoje é um gigantesco e frenético canteiro de obras. Imediatamente em frente ao local fica localizado um posto de bombeiros, o da Engine & Ladder Company 10, que perdeu cinco de seus membros no ataque às Torres Gêmeas, além de ter sido parcialmente destruído. A reconstrução e operacionalização da nova Firehouse custou US$ 3,5 milhões e demorou dois anos.

Memorial na parede oeste do posto de bombeiros da Engine e Ladder 10

Memorial Wall dedicado àqueles que perderam a vida no 11 de setembro - na parede do mesmo posto de bombeiros

Painel localizado na entrada das obras do Groun Zero

Como está hoje o local onde, um dia, foram as Torres Gëmeas

Continuando nossa caminhada, descemos a Broadway e fomos em direção a Wall Street. No caminho passamos pela Trinity Church, bela igreja em estilo gótico que tem à sua volta um dos mais antigos campos santos de Nova Iorque, o qual, segundo consta dos guias da cidade, é uma crônica de três séculos da cidade.

Depois da Trinity Church, entramos pela Wall Street e passamos em frente ao prédio do Federal Hall, edificação neo-clássica de 1842, erguida no local onde ficava o British City Hall, onde George Washington foi empossado presidente dos EUA em 1789. Essa data é celebrada pela estátua que fica no alto dos degraus do Federal Hall. Passamos pela New York Stock Exchange, bolsa de valores de New York que, atualmente, por medida de segurança, não está mais aberta ao público.

Subimos novamente em direção à Broadway e descemos para o Bowling Green, praça onde está localizado a estátua de bronze de 3 toneladas do Charging Bull, obra de Arturo Di Modica de 1989 colocada do lado de fora da Bolsa de Valores que a Prefeitura só conseguiu colocar no local atual por medida judicial. Depois de conhecer o Charging Bull fomos dar uma passeada no Batery Park. Na entrada do Battery está colocada uma escultura chamada Ícone da Esperança, uma esfera que enfeitava a praça das Torres Gêmeas e que, do jeito que foi retirada dos escombros, foi colocada onde está hoje. O Battery Park é o local de embarque das balsas que partem para Ellis Island e para a Estátua da Liberdade. Um lugar bastante agradável e que é palco de shows de artistas de rua.

Do Battery Park, subimos pela Water Street em direção ao Pier 17. A essa altura as Anas, mas especialmente a Ana Carolina, estava só "o pó do bagaço da mexirica", não conseguia mais nem raciocinar. Como dizem outros, estava só "a capa da gaita". Paramos no Pier 17 para almoçar e conhecer o local. O Pier 17 faz parte de um conjunto de piers que formam um museu marítimo a céu aberto, o South Street Seaport Museum. As vistas da ponte do Brooklyn e dos piers 15 e 16, onde ficam aportados os navios antigos, são um capítulo a parte. Vale a visita.

Wall Street e a Trinity Church ao fundo


O Federal Hall e a estátua de George Washington no alto da escadaria

A Bolsa de Valores de Nova Iorque

O Charging Bull na Bowling Green Square

Entrada do Battery Park

A Estátua da Liberda bem, mas muito bem, lá ao fundo. Um dia a gente volta para conhecê-la, dessa vez não deu tempo.

O Pier 17

Vista da Brooklyn Bridge a partir do Pier 17

Vista dos piers 15 e 16 a partir do Pier 17

Depois de alimentados partimos para tomar o metrô para uptown e para conhecer o Central Park. Eu já havia lido bastante e visto muitas fotos sobre o Central Park. Sabia que era gigantesco, enorme. Mas somente caminhando por ele (vamos deixar bem claro, por uma parte ínfima dele) é que temos a real noção de como é grande e bonito. Visitamos a parte do Great Lawn e do Belveder Castle, de onde é possível ter uma vista sensacional do parque e da cidade.

Depois de caminharmos um pouco (bem pouco, pois nesse ponto a Ana Carolina não era mais nem o pó do bagaço da mexirica - metade do pó já tinha ido embora) a gente pegou o metrô na estação do Museu de História Natural e descemos até o Rockfeller Center, para subir ao Top of the Rock. É relativamente caro (US$ 25,00 por pessoa), mas, pela vista, compensa cada cent pago. Você fica a quase 300 metros de altura e tem uma vista completa da cidade, em 360º. Escolhemos o Top of the Rock, ao invés do Empire State, por que a partir dele é possível ver o Central Park e o próprio Empire State, dois lugares que não se pode ver desse, o primeiro por que o próprio Rockfeller Center encobre e o segundo por motivos óbvios.

Central Park a partir do Belveder Castle

As Anas no Belvede Castle, com o Central Park e Midtown ao fundo

Vista do Central Park a partir do Top of the Rock

O Empire State a partir do Top of the Rock

Panorâmica do norte de Manhattan a partir do Top of the Rock

Panorâmica do Sul de Manhattan a partir do Top of the Rock

A Rockfeller Plaza e a estátua de Prometeu trazendo o fogo para a Terra

Depois desse dia cansativo ainda tínhamos que voltar ao hotel e fazer a arrumação final das malas. Tinha que caber tudo nas três malas que havíamos trazido. Dá para imaginar a mágica que precisou ser feita, né? Tudo arrumado fomos dormir e descansar para o último dia de nossa aventura - a volta. Mas isso é assunto para o próximo post, que será elaborado já em casa, no Brasil. Até lá.